segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Paquistanês

Estava no trem esses dias senta uma guria na frente. Cara de indiana. Dali a pouco senta o pai dela ao meu lado. Ocupou 70% do banco. Jogou-me contra a janela. Fui apertado até a estação final...

Perguntou-me se eu esquiava. Perguntou se era fácil. Se um cara do tamanho dele conseguia esquiar. Disse que os esquis menores são mais fáceis, mas não tinha muito conhecimento, pois fazia snowboard. Perguntei se ele praticava algum esporte. Resposta: Cricket. E futebol de vez em quando. Questionei-me: se cricket é esporte, taco deve ser considerado também. Tudo bem, deixa pra lá.

Eu disse que era brasileiro. Eles na verdade são do Paquistão, mas moram em Dubai.
-Do you know Dubai? Have you ever heard about?
Tirou onda de não se saber o que é Dubai no Brasil. Ficou me falando de todas as coisas de Dubai que já apareceram na TV, saem nos jornais, etc. E não sabia que no Brasil nossos carros roda com etanol. Isso que ele está num país rico à base de petróleo, que nos últimos 10 anos resolveu fazer alguma coisa antes que as reservas acabem... Assim se vê quem no fim lê jornal e sabe do que se passa no mundo...

Último dia

Último dia nas montanhas. Acordei ás 7h da manhã. Tinha deixado a roupa separada, mas esqueci do cachecol. A Aline ainda dormindo disse que estava pendurado no armário. Peguei e saí. Ainda com sono, o hotel não muito iluminado, era o cachecol, vermelho. Beleza. Preferia o preto, mas sem galho. Quando entrei no trem é que identifiquei a cor: rosa. E era gigante. Sai abaixo do casaco. E enrolado no pescoço ficava extravagante. Bom, pelo menos o pessoal por essas bandas é mais moderno, e não liga. Também não cabia no bolso. Nos três dias não tinha cruzado com nenhum brasileiro. Não era hoje que eu ia encontrar... E realmente não encontrei. Sorte...

7h52 pego o trem para a estação Ost. Dessa, mais um trem até Lauterbrunnen. Mais um trem até meio da montanha. Mais uma gôndola. E ainda um lift até as pistas. Estava a 2400m de altitude.

O dia estava perfeito. Tempo claro, não muito frio, pouco vento, pouca gente. Antes das 9h já estava nas pistas. As pistas ainda com as marcas com tratores de esteira. A neve estava dura. Rápida, mas difícil de controlar. Muito gelo ainda. Mas o visual do dia melhorava a situação. Com o passar das horas e mais gente nas pistas, começou a melhorar a qualidade da neve. Ficou mais macia, mais gostosa de andar.

Fora das pistas viam-se as trajetórias do pessoal nos dias anteriores. Hoje provavelmente estava crocante. Fofa embaixo, e uma camada de gelo em cima. Ótima para atolar e cair. Não era o dia para sair. Pouca neve nova. Ainda mais que os alertas de avalanche estavam piscando. Acima do nível 3. Definitivamente não era o dia para fazer arte. E viam-se paredões de neve nas encostas... Alemão é uma língua bastante formal. Um desconhecido é sempre tratado como senhor, terceira pessoa. Os alertas para a galera de anda fora das pistas estavam todos na segunda pessoa. Aviso claro...

Vários paragliders voando. Até perguntei para um se rolava térmica com o frio. Não, é só descida. Em fevereiro, quando o sol está mais alto até rola. Achei interessante a expressão. Dois aviões amarelos com esquis estavam voando. Creio que vôo panorâmico. Pousavam num descampado branco, ao lado das pistas.

Foi um dia bom para fechar a temporada nas montanhas. Temperatura entre -5 e -10 graus, tempo bom, neve boa, pistas interessantes...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Horizonte branco

Dia frio e de muita neve.
Acordamos com Interlaken branca. Nevou na noite, e uma camada fina cobria telhados e carros. O caminho até as montanhas estava alterado. Onde se via grama, se via branco hoje. Muita neve no caminho.

Fui para outra montanha. Da gôndola já se observava a quantidade de neve nova, bem como os caminhos que os primeiros do dia haviam feito. As pistas estavam com poucos vícios dos passantes, e curtia-se muito a neve nova. Muito bom. Uma galera descendo fora das pistas. Neve novíssima, e muito espessa. Aproveitei e fui atrás. Animal a sensação de esquiar com a neve cobrindo até o joelho. Muda a técnica. E nessa eu me perdi. Acabei afudando, atolando e não conseguindo sair do lugar. Tive que tirar a prancha e ir caminhando afundando os pés. Saí ofegante após poucas dezenas de metros. Boa a experiência. Rolava ir paralelo as pistas normais, mas indo pela neve nova. Saia uma pouco e voltava para a pista. E às vezes até indo por fora para conseguir descer; algumas pistas tinham partes planas que eu ficava parado. Beleza, aproveitei a neve nova para descer e curtir.

Uma hora não sentia não o nariz. Uma ventania dos infernos e eu num lift aberto. Depois os dedos começaram a ficar duros. Pés gelados. Enquando descia, beleza. Era subir nas cadeiras que começava a doer tudo. Tive que parar por volta de uma da tarde para tomar um chocolate quente. A alma estava com frio. Joelheira fora do lugar, as meias sugadas pelas botas, luvas molhadas, toca cheia de neve... Parada técnica necessária.

O movimento foi muito forte. As gôdolas ficaram sempre cheias. Ficava fila para conseguir um lugar. Teve uma gôndola que passou que o pessoal fechou a porta, para ninguém entrar. Logo passa o cheirão de maconha. 20min trancado num lugar fechado... No que eu peguei, não estavam fumando, pelo menos naquele instante. Estavam com um cheirinho... Até ofereci uma cachaça, mas só um aceitou. Numa outra subida, ofereci para uma mãe que estava com a filha adolescente, mas a coroa não quis. A coroa botando uma pilha para descer uma pista preta e a aborrescente com medo...

Amanhã é o última dia. Montanha nova, novas pistas e dia curto. A tardinha voltamos para Strasburg.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

De volta às pistas

8 anos se passaram desde a última vez que havia esquiado. Mas dessa vez estou nos Alpes.
Acordei cedo, peguei o ônibus e fui para Jungfrau. Apesar do cansaço e do sono, não conseguia dormir direito no ônibus. Dá mais ou menos 50 min entre o hotel e as pistas. Cada vez que abria os olhos ficava maravilhado com as paisagens. Montanhas, casarões de madeira, rios em leitos de rocha.
Nessas situações lembro um diáologo que tive com a minha avó uns 15 anos atrás.
- O que tem a Suíça?
- A Suiça é linda - disse minha avó.

Realmente ela estava certa. Parece maquete. Tudo limpo, ajeitado, bem feito. Emoldurado pelos Alpes.

As pistas da região de Jungfrau somam mais de 200km. Isso das regulares. Vê-se uma galera curtindo a neve nova fora das pistas. Inclusive pais levando os filhos pequenos.

Apesar de não ter muita neve, as pistas são fantásticas. Hoje bateu a consciência que as pretas realmente são para que sabe, ou é louco da cabeça. Paredões verticais de gelo...
Estou todo dolorido. tronco, pernas... 2 dias inteiros sobre a prancha. Vale cada minuto passado no frio.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Interlaken

Chegamos em Interlaken, Suica. Um dos resorts mais top de ski no mundo. No trem jah via-se a quantidade de pessoas que entravam com skis e snowboards.

A cidade é pequena. Na verdade sao duas: Interlaken e Untersee. Um riozinho de aguas claras separa as duas. Muito comércio de turismo. Lojas de relogios, canivetes e souvenniers de viagem estao lado a lado. Ouve-se diversas linguas na rua. Cada pessoa que se faz uma pergunta elas respondem em ingles. Eh engracado: eu pergunto em alemao, a patroa em frances, conversamos entre nos em portugues e as pessoas respondem em ingles, alemao e frances. Todas as pessoas aqui falam ingles.
E dentre as diversas nacionalidades, encontramos uma brasileira que trabalha de garconete num bar. Conheco essa historia. Nao parece ter muito mais de 20 anos. Deve estar aqui curtindo, aprendendo alemao e fazendo uma grana.

Daqui a pouco vou para as pistas. So aguardo o cafe da manha estar pronto, enquanto ouco duas funcionarias conversarem em portugues de Portugal.

PS: o teclado do hotel nao tem acentuacao...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Weinerei

Como o tempo não está ajudando, estamos fazendo coisas não tão turísticas do ponto de vista fotográfico. visitamos museus, estátuas, ruas, praças, etc, mas estamos curtindo bastante cafés e bares...
Ontem fomos na Weinerei (http://www.weinerei.com/). 2 euros de entrada, vinho liberado, algumas comidas e pagas no final quanto achares conveniente. Públicos dos 25 aos 35. De diversos lugares do mundo. Ouvia-se diversas línguas. Vários sofás e mesas grandes. Na verdade parece muito mais a sala de estar de uma casa. Vinho europeus de vários países. A gente pega a taça na entrada e vai experimentando. Muito legal. Astral. Fizemos várias rodadas. 3 horas lá dentro.

Volta de bonde e ônibus.
Foi chegar em casa e apagar.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Tempo em Berlin

Berlin é uma cidade cosmopolita. Diversos povos, diversas influências.
O fato de duas cidades se desenvolverem independentemente durante 40 anos e depois unirem-se é algo relevante. Impossível de ser conhecida a pé. Berlin exige transporte público. E fantástica a interligação. Estações de metroô espalhadas por todos os cantos da cidade. Ônibus e bondes fazendo a conexão fina.

Em contrapartida, o clima de inverno não ajuda muito. O sol até aparece de vez em quando. Muito no horizonte. Meio-dia está a poucos graus de inclinação . E logo desaparece. O céu nublado é uma constante. Mas é o de menos. O vento é algo que castiga. Está um pouco a cima de zero e não neva. Chove. Apesar de fina, chateia.

Estamos dentro de casa agora. Olhando a ventania que está. Já choveu mais cedo. Agora só nublado. Mas não dá muita pilha de sair. A programação de hoje será apenas o Charlottenburg. A estação fica próxima, e é um palácio interessante.